Estava deitado, observando a chuva bem fraquinha que caia lá fora. Via a água batendo na vidraça, o céu cinza, carregado. Os galhos das árvores balançam freneticamente, devido a força do vento. Essa cena me agrada, porque me faz pensar em uma parecida que eu vi dentro de mim.
Se eu pudesse descrever o que passei, ou minha alma passou, em forma de paisagem, seria algo mais ou menos assim. Talvez a chuva não fosse fraca, mas sim um temporal sinistro. Tudo por causa de um amor perdido, junto com uma amizade...Quer dizer, amizade eu não perdi porque se ele fez isso comigo, provou que não é/era meu amigo e não merece meu respeito.
Ela, bem, ela é um caso à parte. Não a culpo pelo que aconteceu, talvez eu, no lugar dela, tivesse feito o mesmo, afinal não fui um namorado/marido exemplar. Ela também não é/foi uma santa, mas muitas vezes não merecia o tratamento que dispensava à ela, era infiel, rude. As vezes ela merecia, mas não na maioria das vezes.
Sofri muito por muito tempo, tanto que pensei em me matar muitas vezes, mas sempre "tive medo do outro lado da porta". Porém, felizmente, essa fase passou; aprendi a amar a vida, respeitar meus semelhantes, e não tão semelhantes assim como os cães e gatos, e a conviver em harmonia com Gaia, a mãe natureza. Redescobri o prazer de ver um pôr-do-sol lindo, como eu via na época do meu namoro, ou casamento já que viviamos juntos.
Demorei, no entanto aos poucos fui recuperando a alegria de viver, que só foi possível passando um tempo longe e com a ajuda dos amigos, que ficaram do meu lado nesse momento terrível. Definitivamente o mar é uma terapia; mesmo só de olhar as ondas virem quebrar na beira eu já atingi uma paz de espírito que fazia tempos que não sabia o que era.
Foi a cena da chuva fraca caindo, no céu cinzento, com os galhos balançando devido ao vento, deitado na minha cama e com o caderno na mão, que me fez escrever esse conto.
Um comentário:
ficou muito bom, muito mesmo. Parabéns!
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