segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Nostalgia Filosófica

São 2 da madrugada, a lua cheia, praticamente coberta pelas negras nuvens, ilumina precariamente a gélida noite de hoje. Umas poucas estrelas são encontradas na vastidão do céu de cor nebulosa, variando entre o roxo e o lilás. Eis uma prévia do que nos espera no dia de amanhã, feio, cinzento e mais frio que o dia de hoje, que está perto do seu final.
Estou, apesar do clima nada favorável, à toa pelas ruas do Ipanema, bebendo um vinho suave barato, daqueles de garrafa de plástico, sozinho no meio da Babilônia deserta, perdido em meus pensamentos. Penso em muitas coisas, no futuro, no amor, nos amigos que se foram, que estão indo, que estão distantes, mas mesmo assim estão próximos, pois as lembranças os mantêm junto de mim.
Minha mente voa longe, junto com as lembranças do tempo em que o bairro era calmo, que se podia andar tranqüilamente pelas ruas sem se preocupar com assaltos, com o trânsito, na época em que eu jogava futebol no meio da rua com os meus amigos, as festas, invadir a casa do vizinho pra comer pitanga, cereja, nozes, jabuticaba e destruir o campinho de futebol dele. O velho seu Jaime ficava muito de cara com a gurizada e com razão.
Se eu pudesse, voltaria no tempo, pra curtir muito mais do que eu curti aqueles dias inesquecíveis. Mas que se foda isso, temos que, recordar o passado sim, mas viver o presente projetando o futuro, porque, como diz uma música do Cazuza, o tempo não pára. Um dia, há muito tempo atrás, concluí que a vida é um ônibus e que nós entramos nele no momento que nascemos e estamos nele até o momento de nossa morte, sem paradas pra nada, e o pior é que cada vez temos mais compromissos e menos tempo pra realizar tudo que desejamos ou devemos fazer no dia-dia.

Nenhum comentário: